VOZERIO
O mundo grita, nesse vozerio
Do qual nada se absorve ou se entende.
Nem o sonho desponta no vazio
- Como tudo é gaiola, tudo prende.
Tanto ruído, métrica apressada
Da marcha desses dias, estampidos
Que nos cercam às três da madrugada...
E os seres mitológicos, feridos,
Nas canções de cruel polifonia,
Jazem feito os humanos, sem nobreza,
Sem loas à esta inútil valentia
Que os faz se rebelar na correnteza.
Diante do que expõe nossa impotência,
Nem os deuses têm voz, nem a ciência.
(Agosto de 2026)