CARTA AO PAI
Pai, teu vento mudou toda a paisagem,
Quando rasgou o silêncio noite dessas.
Da janela quebrada em que pousei
Minha vida, observei, mas nada disse.
Notei que estavas triste com o rumo
Das coisas, pois do caos primordial
Fizeste maravilhas, que destruímos
Nessa imaturidade de milênios.
No tempo em que apontávamos estrelas
Sem tocá-las, havia algum mistério
- Que hoje vaticinamos como findo.
Crianças que não voam sem brinquedos,
Que têm limites sem sabê-los, Pai,
Só peço que de nós nunca desistas.
(Agosto de 2026)