MUDOS PERMANECEM
No fim, poetas são sempre obscuros, mudos,
E mudos permanecem quando grita
A sua poesia (ave desossada
Até as camadas mais cruas de tudo).
No fim, poetas mal sabem de si mesmos,
Por que, então, saberiam do universo,
Da metafísica indistinta e rude
Que nos envolve feito nós de arame?
No fim, se fim houver, o que seria
A voz encarcerada em outro verso
Senão mais um esforço dado em nada
(Quintilhões de certezas que desabam
Em análises rasas, tudo enfim...)?
- Nem a voz, nem o verso viram pedra.
(Julho de 2026)