POESIA É DESEJO
Nada escapa ao poema, nem a mente
Que o cria, nem os olhos que o vislumbram.
Perdido em seu delírio - um continente -
Vive o poeta, até que, enfim, o descubram.
E nada valerão noites e dias,
Anos e séculos, porque só os versos
Têm o poder de não morrer, harpias
Que libertam quimeras e universos.
Nada escapa ao poema e não haverá
Força que possa domina-lo, ou vento
Que derrube os castelos que fará
O poeta com apenas sentimento.
Porque a Poesia, sempre, é desejo
E vai muito mais longe do que vejo.