PÃO E CIRCO
Comecem os jogos! Serão Coliseus
Em cada avenida, de cada cidade,
De pão e de circo, febris. A verdade
Será só lembrança em antigos museus.
Na palma da mão, mas longe de Deus,
Virá tal discórdia, desgraça que invade
Retinas tomadas por dor e impiedade
- E não haverá salvação para os seus.
Em todos, a sede de sangue - torrentes
Que arrastam destinos no rumo do caos,
Transbordam de casas, palácios, sarjetas.
Crianças deixadas às feras, serpentes
Cobrindo o caminho, descendo os degraus
Da noite infinita ao soar de trombetas.
(Soneto hendecassílabo de fevereiro de 2026)