PROFETA DA UTOPIA
Sou profeta da utopia.
Não me entrego pra injustiça,
Sob qualquer grito ou bandeira,
Qualquer cerca fronteiriça,
Qualquer coturno ou chicote,
Qualquer ferina cobiça.
Por mim, amor haveria,
Não esse tempo de guerra,
De batalhas infinitas,
Essa dor que não se encerra,
A crueldade do homem
Pairando por sobre a Terra.
Por mim, arte bastaria
Pra aplacar ira tamanha,
Então, escrevo o que penso
Pra ver se a verdade entranha
Nas mentes e corações,
Assim todo mundo ganha.
Quero clarear o dia,
Dissipar essa neblina
E o som cruel dos trovões,
Mas o tempo é minha sina
- Canto pra enfrentar a morte,
Sinto a fagulha divina.
Sou filho da ventania,
Espalho a voz da mudança,
Porque é de verso meu rumo
Sou aquele que não dança
Mas que sempre entende a música
Fundamental da esperança
Por mim, fosse o que eu queria
Ou contrário, controverso,
Ou nunca estivesse pronto,
Rascunho eterno de um verso,
Qualquer sonho, qualquer vida
Valeria o universo.
Por mim, gente voaria
Mas essa obra não foi minha
Respeito Aquele que fez
Aceito as chances que eu tinha.
Do céu me basta o infinito,
Do horizonte, basta a linha.
Vivo na filosofia
De que viver é um presente.
Choro as perdas e saudades
Lembro quem está ausente
Mas ouço a voz do futuro
Pra sempre seguir em frente.
WMendonça
Tanguá-RJ
21/02/2026