William Mendonça
POESIA, PROSA, MÚSICA E TEATRO
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ESPELHO

 

Recanto de mim, é no espelho que vivo

- Contrário de tudo, tão óbvio, tão fraco,

Porque, do que mostro, a verdade é um naco,

É pista plantada, um desvio em seu crivo.

 

No mundo, estou certo que nada é festivo

Sem ser pueril, que ninguém é velhaco

Às claras, que todo caráter é opaco...

Não quero comprar a ilusão que me privo!

 

Desmonto armadilhas que são meu caminho,

Mas piso sem medo nos campos minados

- Se tudo explodir, noves fora, que importa?

 

E, sem admitir, me percebo sozinho,

Inverso dos sonhos e planos traçados,

Buscando o sentido de vida tão torta.

 

(Soneto hendecassílabo de fevereiro de 2026)

William Mendonça
Enviado por William Mendonça em 07/02/2026
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