ESPELHO
Recanto de mim, é no espelho que vivo
- Contrário de tudo, tão óbvio, tão fraco,
Porque, do que mostro, a verdade é um naco,
É pista plantada, um desvio em seu crivo.
No mundo, estou certo que nada é festivo
Sem ser pueril, que ninguém é velhaco
Às claras, que todo caráter é opaco...
Não quero comprar a ilusão que me privo!
Desmonto armadilhas que são meu caminho,
Mas piso sem medo nos campos minados
- Se tudo explodir, noves fora, que importa?
E, sem admitir, me percebo sozinho,
Inverso dos sonhos e planos traçados,
Buscando o sentido de vida tão torta.
(Soneto hendecassílabo de fevereiro de 2026)