NO BREU
Lanterna no breu, contradigo a avareza
De quem acumula poderes e abona
Quem troca virtudes por cifras - torpeza
Que a cada rei posto, mais outro destrona.
Do sonho, da fé e da paixão, desmorona
À volta qualquer regimento ou certeza,
Pois deles, opacos mosaicos, ressona
Somente esta voz que não tem sutileza.
Mas sigo empilhando tijolos ao vento,
Buscando o concreto onde há movimento,
Obscuro desejo, punção infindável.
Persisto, sem plano, sem forças, sem volta,
Porque não concedo jamais a derrota.
- Confio que a vida será formidável!
(Soneto hendecassílabo de janeiro de 2026)