CAVALOS
Cavalos. Cavalos. Tropel tresloucado,
Selvagem fanfarra rasgando a manhã,
Levando nas patas a febre terçã.
No inferno haveria somente o pecado?
Talvez se deixassem o rumo traçado,
O tempo, a lembrança de vaga maçã;
Mas, ímpios, consomem até o amanhã.
De toda a balbúrdia e a peste, que lado?
Cavalos. Cavalos. Senis cavaleiros,
São quatro, centenas, milhares, milhões.
Espadas de fogo anunciam janeiros
E as chamas consomem gentis corações.
Verdugos semeiam a dor em canteiros
- Saber da verdade arrebenta os grilhões?
(Soneto hendecassílabo de janeiro de 2026)