William Mendonça
POESIA, PROSA, MÚSICA E TEATRO
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CAVALOS 

 

Cavalos. Cavalos. Tropel tresloucado,
Selvagem fanfarra rasgando a manhã,
Levando nas patas a febre terçã.
No inferno haveria somente o pecado?

 

Talvez se deixassem o rumo traçado,
O tempo, a lembrança de vaga maçã;
Mas, ímpios, consomem até o amanhã.
De toda a balbúrdia e a peste, que lado?

 

Cavalos. Cavalos. Senis cavaleiros,
São quatro, centenas, milhares, milhões.
Espadas de fogo anunciam janeiros

 

E as chamas consomem gentis corações.
Verdugos semeiam a dor em canteiros
- Saber da verdade arrebenta os grilhões?

 

(Soneto hendecassílabo de janeiro de 2026)

 

William Mendonça
Enviado por William Mendonça em 11/01/2026
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